Sociedade Blog
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Garotinho na frente
O Vox Populi realizou pesquisa no Rio de Janeiro a pedido do PT. O resultado foi: Garotinho (PR) lidera com 24%; Lindbergh (PT) tem 21,2%; Cesar Maia (DEM), 11,4%; e Pezão (PMDB), 8,8%. O governador Sérgio Cabral tem 32,4% de ótimo/bom; e a presidente Dilma, 51,7%.
Homenagem a Wilson Batista no Trianon
O compositor campista Wilson Baptista, que completaria 100 anos no dia 3 de julho, será homenageado neste sábado (22), às 21h, no Teatro Municipal Trianon, com a apresentação do espetáculo “O Samba Carioca de Wilson Baptista”, estrelado e escrito por Rodrigo Alzuguir, pesquisador, cantor e ator, e Claudia Ventura, atriz e cantora. Os ingressos custam R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). O espetáculo tem classificação 12 anos.
Vamos ajudar o abrigo João Viana?
Do Blog Reflexões:
"
O hospital psiquiátrico, conhecido como ABRIGO JOÃO VIANA é uma instituição filantrópica que atende cerca de 120 pacientes psiquiátricos e, precisa da ajuda da sociedade campista para melhorar a crise da instituição.
O Abrigo João Vianna precisa da ajuda MINHA, SUA E, DE TODOS NÓS através de doações de alimentos, roupas de cama, banho e, medicamentos.
A sociedade vem fazendo doações, e,
Neste sábado, dia 22/06, às 13h, o proprietário da Fazenda Marimbondo, Sr. Ailton Xavier, ao aderir a campanha, estará promovendo um churrasco, ocasião em que haverá um leilão de 03 garrotes "Brahman" e dez coberturas de 01 cavalo mangalarga paulista (PO).
Adquira já o seu convite por R$ 30,00 ou doando travesseiro, lençol. (Maiores informações com Cristina Lima, coordenadora do Abrigo ou Dr Marco Antônio Veloso de Carvalho) - Endereço do Abrigo João Viana: Rua Antônio Alves Cordeiro, nº 81, Parque Rosário.
Vejamos:
1. Há uma defasagem nos preços praticados pelo SUS e, pelo fato de atenderem somente a uma especialização, ou seja, a psiquiátrica,isto dificulta a formação de convênios.
2. a instituição recebe verbas do Governo Federal e da Prefeitura de Campos que estão sendo repassadas regular e corretamente, porém este repasse não abrange todas as necessidades do Asilo que conta ainda com profissionais tais como: psicólogos, terapeutas, enfermeiros, psiquiatras, assistentes sociais, então o dinheiro da verba recebida é praticamente para quitar a folha de pagamento destes funcionários.
3. Existe necessidade de doação de alimentos, medicamentos, roupa de cama, de banho. Vamos nessa?
Como chegar ao local do churrasco/leilão?
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO ESPÍRITA DR. JOÃO VIANA
= AGRADECIMENTO =
Hoje, já não somos mais os mesmos! Não somos mais os mesmos porque às nossas mãos se juntaram inúmeras outras, da comunidade campista, revigorando o nosso ânimo e nos fazendo companhia no caminhar pela estrada da fraternidade.

O hospital psiquiátrico, conhecido como ABRIGO JOÃO VIANA é uma instituição filantrópica que atende cerca de 120 pacientes psiquiátricos e, precisa da ajuda da sociedade campista para melhorar a crise da instituição.
O Abrigo João Vianna precisa da ajuda MINHA, SUA E, DE TODOS NÓS através de doações de alimentos, roupas de cama, banho e, medicamentos.
A sociedade vem fazendo doações, e,
Neste sábado, dia 22/06, às 13h, o proprietário da Fazenda Marimbondo, Sr. Ailton Xavier, ao aderir a campanha, estará promovendo um churrasco, ocasião em que haverá um leilão de 03 garrotes "Brahman" e dez coberturas de 01 cavalo mangalarga paulista (PO).
Adquira já o seu convite por R$ 30,00 ou doando travesseiro, lençol. (Maiores informações com Cristina Lima, coordenadora do Abrigo ou Dr Marco Antônio Veloso de Carvalho) - Endereço do Abrigo João Viana: Rua Antônio Alves Cordeiro, nº 81, Parque Rosário.
Vejamos:
1. Há uma defasagem nos preços praticados pelo SUS e, pelo fato de atenderem somente a uma especialização, ou seja, a psiquiátrica,isto dificulta a formação de convênios.
2. a instituição recebe verbas do Governo Federal e da Prefeitura de Campos que estão sendo repassadas regular e corretamente, porém este repasse não abrange todas as necessidades do Asilo que conta ainda com profissionais tais como: psicólogos, terapeutas, enfermeiros, psiquiatras, assistentes sociais, então o dinheiro da verba recebida é praticamente para quitar a folha de pagamento destes funcionários.
3. Existe necessidade de doação de alimentos, medicamentos, roupa de cama, de banho. Vamos nessa?
Como chegar ao local do churrasco/leilão?
LIGA ESPÍRITA DE CAMPOS
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO ESPÍRITA DR. JOÃO VIANA
= AGRADECIMENTO =
Hoje, já não somos mais os mesmos! Não somos mais os mesmos porque às nossas mãos se juntaram inúmeras outras, da comunidade campista, revigorando o nosso ânimo e nos fazendo companhia no caminhar pela estrada da fraternidade.
Não somos mais os mesmos porque as flores da solidariedade enfeitam o nosso íntimo, trazendo-nos a certeza de que o próximo, aquele que nos solicita ajuda e amparo, é nosso irmão em Deus e por isso, as nossas dependências estão plenas de alimento, material de limpeza e produtos de higiene pessoal (shampoo, absorvente, papel higiênico, sabonete, pasta dental, desodorante em aerosol, aparelho de barbear g2 e outros), necessidades permanentes em nosso Hospital.
Já não somos mais os mesmos porque com as doações, fruto do amor-caridade, pudemos iniciar a pintura do espaço de “Terapia Ocupacional” (TO), a reforma da Rádio Esperança – rádio interna para informação e recreação dos pacientes, planejar a pintura das enfermarias e pensar em reformar as camas hospitalares.
Hoje, não somos mais os mesmos porque unidos às pessoas, instituições, empresas, meios de comunicação e anônimos de nossa cidade, ratificamos, diante de Jesus, o maior dos Seus ensinamentos – o de ver no próximo o melhor e o maior investimento de nossas vidas. Já não somos mais os mesmos porque nossos corações transbordam de gratidão e reconhecimento ao Pai e a todos aqueles que têm nos ajudado a secar as lágrimas daquele que sofre. Cientes de que é o amor a ponte que nos une a Deus, ao próximo e a nós mesmos, ansiamos que essa corrente fraterna que se formou em torno do Hospital Psiquiátrico Espírita Dr. João Viana nos permita renovar os travesseiros e lençóis dos nossos 120 pacientes-internos, além de garantir a manutenção dos serviços prestados pela instituição não só a Campos dos Goytacazes, mas a toda a região, recordando que Jesus cruza os nossos caminhos diariamente esperando que nossas mãos O ajudem a construir o Reino de Deus sobre a Terra.
A Diretoria.
No mundo da fantasia*- Por Antero Greco
A seleção faz hoje a segunda apresentação na Copa das Confederações da qual é anfitriã e até empate com o México pode significar passo decisivo para a classificação. O teste será mais rigoroso do que o da estreia, diante do Japão, em que já se notou evolução. Tomara haja dificuldades em Fortaleza – e que o desafio se mostre bem complicado contra a Itália, no sábado. Só assim Felipão, torcida e crítica terão ideia justa de pontos fortes e de aspectos frágeis da equipe que tem como objetivo maior a Copa de 2014. O resto fica em plano inferior.
O torneio preparatório para o Mundial do ano que vem se transformou também em alvo de protestos populares. A moçada que há dias sai às ruas para lutar contra aumento de tarifas de transporte público aproveitou a ocasião e escancarou o quanto está irritada com governantes e cartolas pelos custos engordados e inflacionados das praças esportivas erguidas pelo País. Os bilhões despejados em estádios soam como escárnio para os cidadãos.
Até que enfim uma parcela da população deixou o esquindô, esquindô de lado e trocou o sonso “Ah, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!” por slogans realistas. Foram necessários mais de seis anos para que milhares tirassem o véu dos olhos e enxergassem com nitidez o destino do dinheiro deles. Este caderno de Esportes já apontava, em 2007, abusos nas obras do Pan no Rio e, em seguida, cobrava transparência de autoridades nos projetos para Copa e Jogos de 16. Na época foi avacalhado por muitos.
As manifestações talvez tenham chegado tarde para o Mundial (mas não para a Olimpíada), porque a farra da grana corre solta e não há como interromper os trabalhos. Agora, se descobriu que quase R$ 30 bilhões estão espalhados Brasil afora, a maior parte nas “arenas”, várias candidatas a elefantes brancos depois de julho de 2014. E as cifras vão crescer. Faltam argumentos consistentes para explicar, por exemplo, por que um campo aqui custa até R$ 1 bilhão, enquanto na Itália a Juventus ergueu belíssima casa nova, em Turim, para 41 mil torcedores, por R$ 300 milhões.
Muita gente cansou de desfaçatez e deseja ser ouvida. No entanto, há quem viva num mundo de fantasia, em que tudo vai muito bem, obrigado. Como os alegres convidados para o Baile da Ilha Fiscal, em 1889, dias antes da queda do império, ou como a corte de Luis XVI e Maria Antonieta, que em 1789 não percebia a aproximação da Revolução Francesa. Quando se deram conta, os soberanos tinham perdido o poder e, anos depois, a cabeça…
Nesse sentido foi emblemática a capa da edição de ontem do caderno Copa das Confederações, do Estado. Os repórteres Jamil Chade e Leonardo Maia fizeram retrato impecável do que pensam personagens importantes no momento. Não surpreendeu, e infelizmente nem chocou, a reação da dobradinha Joseph Blatter e Jerôme Valcke, os senhores que dão as cartas na Fifa. O presidente aposta na sedução do esporte, no poder que tem de desviar a atenção de problemas, ao afirmar que “o futebol é mais forte do que a insatisfação das pessoas” e ao prever que o fogo de palha passará. Seu secretário geral e fiel escudeiro foi além: “Tenho certeza de que, se o Brasil ganhar a Copa (de 2014), essas críticas vão desaparecer.”
O discurso orquestrado (lembra?) contou com acordes do ministro Aldo Rebelo. O antigo presidente da União Nacional dos Estudantes e destaque do PCdoB, partido que sofreu na carne perseguição política e policial, foi duro ao garantir que o governo não vai “tolerar” atitudes que emperrem a realização das competições, com a ressalva de que são direito assegurado em democracia.
A dupla José Maria Marin/Marco Polo Del Nero não saiu do tom. “Seria preferível que a atenção estivesse no futebol e acho que é a preocupação de grande parte do povo brasileiro” (Marin). “Quantos foram?(nos protestos) Mil? Tem 199 milhões de brasileiros trabalhando e esses querem atrapalhar” (Del Nero).
Desce o pano, rápido.
*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, 19/6/2013.)
Incentivo ao turismo
Andréa Ciaffone
Do Diário do Grande ABC
Do Diário do Grande ABC
O poeta português Fernando Pessoa imortalizou a frase “navegar é preciso, viver não é preciso”, atribuída a antigos marinheiros que se aventuravam mar afora. Hoje, viajar é prazer e não risco de morte. Para ampliar ainda as chances de quem quer arrumar as malas, o Ministério do Turismo deve lançar nos próximos meses, em parceria com o Ministério do Trabalho, o Programa Viaja Mais Trabalhador.
Voltado para quem ganha até quatro salários-mínimos (R$ 2.712), a novidade deverá seguir os mesmos parâmetros do Viaja Mais Melhor Idade. O secretário executivo do Ministério do Turismo, Valdir Simão, antecipou que os roteiros terão tarifas reduzidas e financiamento compatível com a renda mensal do viajante. “Estamos dando oportunidades para que os brasileiros possam conhecer mais e melhor o País”, diz Simão.
“O Ministério do Trabalho demonstrou interesse em estar conosco porque é um benefício direto ao trabalhador. Estamos discutindo de que forma”, disse Simão. Caso o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) não possa ser usado, outra possibilidade é o financiamento a juros mais baixos. “A Caixa e o Banco do Brasil terão taxas diferenciadas”, explicou. “A ideia é que o trabalhador tenha um crédito que pode vir com taxas de juros menores”, explicou.
Além de facilitar a vida das famílias de classes C, D e E na hora de planejar suas férias, o programa, voltado especialmente para quem viaja em baixa estação, deverá ajudar uma série de destinos turísticos Brasil afora que ficam com capacidade ociosa fora dos períodos de maior procura.
VIVER É PRECISO
De acordo com dados do Inpes (Instituto de Pesquisas) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), a medida deverá atingir pelo menos 44% da população do Grande ABC, que representam os 40% da classe C (que tem rendimento médio de R$ 2.086) e os 4% das classes D e E (que têm média salarial de R$ 1.199). No total, 349 mil famílias poderão usar essa alternativa para fazer turismo.
Os estudos apontam que nas sete cidades da região, as famílias dedicam, em média, considerando todas as classes sociais, 2,4% do seu orçamento em lazer e cultura – que inclui viagens.
O valor baixo mostra que sobra pouco dinheiro na região para explorar o País. A mesma pesquisa aponta que, tirando as despesas fixas como moradia, alimentação, higiene, transporte e Educação sobram para a classe C, em média, R$ 634 por mês. Para a base da pirâmide, estratos sociais D e E, sobram apenas cerca de R$ 300 mensais. (com agências)
terça-feira, 18 de junho de 2013
Terceira idade em festa
Com o objetivo de promover melhor qualidade de vida e bem estar ao público da melhor idade, o Clube da Terceira Idade de Campos realiza nesta sexta-feira (21 de junho) a Noite de Talentos com os idosos do Clube. O evento será realizado na própria sede, na Rua Rodriguez Peixoto, 91, Parque Tamandaré, das 17h às 20h.
Os idosos comandarão o evento com diversos estilos musicais, os mesmos que participaram do Festival de Talentos, em setembro de 2012, no Teatro Municipal Trianon. Cerca de 4 mil idosos já estão cadastrados no Clube, que oferece diversas atividades, como Grupo Amigos da Memória, lazer, atendimentos médicos, odontológicos e de fisioterapia, hidroginástica, Tai Chi Chuan, laboratório de prótese dentária, farmácia com a distribuição de remédios, entre outras.
Explosões silenciosas
Walnize Carvalho
Céu estrelado em noite de luar
Arco-íris em fim de tarde
Flores em beira de estrada asfaltada
Marolas em rio vistas da ponte
Pássaros em fios elétricos de postes
E aí, Brahma??
Cadê o trio elétrico?
Erich Beting
Só faltaram os trios elétricos, ontem, para que a Brahma conseguisse protagonizar o maior “Imagine a Festa” da história do país. Ironias à parte, as passeatas que começam a querer tomar conta das principais capitais do Brasil mostram o quanto foi infeliz a tentativa da Ab-Inbev de tomar para si uma responsabilidade que não lhe competia.
Em setembro do ano passado, a Brahma lançou o comercial “Imagine”, em que tripudiava da insatisfação cada vez mais crescente das pessoas com a infraestrutura de quinta categoria que temos na mobilidade urbana, nas telecomunicações, nos serviços, etc. A ideia era brincar que deveríamos trocar o jargão “Imagine na Copa” por “Imagine a festa”.
É, parece que os pessimistas de plantão decidiram sair às ruas exatamente no instante em que era para realizarmos a festa, após mais de meio ano imaginando-a. Pelas imagens que foram divulgadas em todos os lugares, só faltaram, realmente, os trios elétricos. As pessoas saíram às ruas, os aeroportos continuam cheios, mas faltaram os trios.
Como disse lá em 18 de setembro (relembre aqui), não era função de uma empresa privada tomar para si o risco de realização do megaevento. Afinal, não compete à Brahma melhorar a infraestrutura do país, investir no sucateado sistema de transportes, na estrutura hoteleira, controlar o aumento abusivo dos preços, etc. E isso, por mais que se tente fazer diferente, é função de governo.
Imaginar a festa quando a realidade das pessoas não dá motivos para celebrar é confiar demais no “pão e circo” para as pessoas.
Parece, felizmente, que a corda da insatisfação relativa ao país que vivemos estourou.
É pelos R$ 0,20 do transporte sucateado em São Paulo, claro.
Mas é também pelo estouro abusivo do orçamento da Copa do Mundo.
É pela falta de um projeto de país e pela sobra de um projeto de governo, de quem quer que esteja governando.
É pela corrupção que enraizou-se na nossa cultura e só parece piorar a cada pedido de “por fora” em qualquer situação cotidiana.
É pela absurda política de proteção ao produto nacional que só encarece o produto que consumimos sem melhorar a qualidade.
É pela ausência de um PT na oposição para não deixar que o PT da situação continue a sucatear os investimentos nos direitos mínimos garantidos por lei à população.
No fundo, no fundo, é para garantir que nós possamos, lá na frente, ter vários motivos para imaginar a festa…
Morre Lulu Beda
Faleceu na manhã desta terça-feira no Hospital Ferreira Machado em Campos, conforme informa o portal Ururau o ex-presidente da Fundação Municipal de Esportes, Luís Francisco Beda Campos, mais conhecido como Lulu Beda. Diabético, ele estava internado com insuficiência respiratória, pneumonia e AVC.
Nossos sinceros sentimentos aos familiares e amigos.
Visão geral dos protestos
Do UOL:
Mais de 250 mil pessoas participaram de protestos em várias cidades de
norte a sul do Brasil nesta segunda-feira (17). A onda de protestos, que
nas últimas semanas tinha como foco principal a redução de tarifas do
transporte coletivo, ganhou proporções maiores e passou a incluir gritos
de descontentamento com várias causas diferentes. Houve registro de
confrontos e violência em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Brasília, onde manifestantes invadiram o Congresso Nacional. É a maior mobilização popular do Brasil desde os protestos pedindo o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello (hoje senador), em 1992.
Além do Congresso Nacional, que foi desocupado após cinco horas, grupos também invadiram a sede do governo do Paraná e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
As manifestações começaram, em sua maioria, de forma pacífica, mas
houve agravamento da tensão no final da noite, com grupos de
manifestantes partindo para ações mais radicais.
Os protestos de São Paulo, em seu quinto dia, também mostraram que
houve a adesão de outros setores da sociedade. Não mais apenas
estudantes, ativistas e militantes políticos estavam nas ruas nesta
terça, mas houve relatos de pessoas que resolveram participar do
protesto atraídos pela divulgação e pelos comentários nas redes sociais.
Por exemplo, houve gente que levou a família para participar dos atos em São Paulo.
Em Maceió, um adolescente de 16 anos foi atingido por um tiro durante a manifestação.
O número de participantes em todas as manifestações, que ocorreram em
mais de 20 cidades, pode ser bem maior, pois em nem todas foi
oficialmente divulgado o total de público.
No Rio de Janeiro,
houve confronto com policiais. Mais de dez pessoas ficaram feridas nos
confrontos nas ruas, duas delas a tiros. Manifestantes invadiram a
Assembleia Legislativa do RJ e mantiveram 20 policiais militares como
reféns. Eles também estavam feridos. A Tropa de Choque da PM retomou o prédio à força. Segundo estimativas da Coppe/UFRJ, 100 mil pessoas participaram dos protestos no
Rio. Policiais tentaram dispersar manifestantes com o uso de bombas de
gás lacrimogêneo. Manifestantes fizeram barricadas com fogo. Houve
depredação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Um carro foi incendiado por um grupo de manifestantes e explodiu.
Em São Paulo, manifestantes tentaram invadir a sede do governo, no Palácio dos Bandeirantes.
Um portão chegou a ser quebrado no local por volta das 23h, mas a Tropa
de Choque da PM impediu a entrada do grupo. Na manifestação de São Paulo, que reuniu 65 mil pessoas
(segundo medição do instituto Datafolha) na zona oeste e na zona sul da
cidade, por exemplo, ouviam-se gritos de ordem contra a presidente
Dilma Rousseff (PT), contra o governador Geraldo Alckmin, faixas contra o
uso de dinheiro público nas obras da Copa, protestos contra a PEC 37
(proposta de mudança de legislação que tira o poder de investigação do
Ministério Público), contra corrupção e violência, por educação melhor e
redução do custo de vida e pedindo melhores serviços públicos em geral.
"O povo unido jamais será vencido", entoava um coro de milhares de
manifestantes na avenida Faria Lima por volta das 20h.
Em Maceió, um adolescente de 16 anos foi atingido por um tiro durante a manifestação.
O número de participantes em todas as manifestações, que ocorreram em
mais de 20 cidades, pode ser bem maior, pois em nem todas foi
oficialmente divulgado o total de público.
Multidão
Em algumas cidades, o protesto foi convocado "em solidariedade" às
vítimas da violência nos atos de quinta-feira passada (13) em São Paulo,
quando pessoas que não participavam dos protestos e até jornalistas
foram atingidos e feridos por disparos de balas de borrachas da Tropa de
Choque da PM.
Veja a estimativa de participantes em algumas das cidades em que houve protestos nesta segunda:
Rio de Janeiro – 100 mil
São Paulo – 65 mil
Belém – 13.000
Porto Alegre – 5.000
Santos (SP) – 1.500
Explicações? Menosprezaram a história de luta do brasileiro- Por Lúcio de Castro
Lúcio de Castro é
carioca, formado em História e Jornalismo, e hoje trabalha como repórter
da ESPN Brasil e comentarista do Bate-Bola 1ª edição
Juan Arias é um premiado e competente
intelectual. Homem de formação sólida, ocupou nos últimos anos ao posto
de correspondente do bom jornal espanhol El Pais no Brasil. Sua
inquestionável formação não o livrou de um imenso lapso ao reportar e
analisar as manifestações que pipocam Brasil afora nos últimos dias. No
dia 12 de junho, com os protestos engatinhando e parecendo ainda apenas
serem contra um aumento de vinte centavos nas passagens, abriu seu
relato com as seguintes palavras: "Brasil, pouco acostumado a protestar
na rua, desta vez se levantou nas principais cidades do país contra o
aumento das passagens do transporte público
O jornalista
desconhece a essência do que construiu boa parte da história do Brasil:
sangue, protestos, manifestações, revoltas. Dezenas, centenas, milhares
de revoltas. Nada por aqui foi conquistado sem reivindicação e muita
revolta. Justiça seja feita, não está sozinho em sua desinformação.
Muita gente boa por aqui acredita nessa história oficial e nesse chavão
que pretendeu rotular o povo brasileiro como "bundão". Um rótulo
conveniente e disseminado não à toa por quem tem tal interesse.
Um olhar sobre a história do Brasil é mergulhar na história de um povo que lutou e luta para driblar o projeto original (ou a ausência dele) que estava previsto desde sempre para ele: ser mão de obra desqualificada, ser escravo, ser trabalhador braçal sem direitos. E se hoje esse projeto está desmoralizado, e o país tem um papel importante no mundo, é porque muito sangue rolou. E esse projeto não foi aceito com conformação.
Desde sempre estava expressa a vontade soberana de um povo em não aceitar dominações vindas de fora. Já vão longe, mais de quatro séculos, a Confederação dos Cariris, a Revolta da Cachaça, do Sal, e tantas outras. Vieram os Mascates, os confederados do Equador, a revolução Pernambucana. As Conjurações. Mineira, Carioca, a Conspiração dos Suassunas, Praieira, Mascates. Diferentes razões, muitas vezes diferentes camadas sociais, mas, na maior parte delas, o sentimento de ser senhor da própria história.
Foram dezenas de revoltas indígenas. Outras tantas escravas e negras. O Maranhão com seus Balaios, a Bahia de tantas e inúmeras revoltas lutas pela independência, da Conjuração, dos Malês, da Sabinada, dos Guanais e da Guerra do Conselheiro, Belém e seus Cabanos, o Rio de João Cândido contra a Chibata e da Vacina e tantas outras que adoro o nome, como "Mata-Galegos", o sul da Farroupilha, do Contestado, as revoltas paulistas. Mesmo as mulheres brasileiras, muito a frente do seu tempo, viveram em Natal sua revolta. Tem tanta coisa, tanta história de revolta em nossas páginas que forçosamente irei cometer o pecado da omissão.
Com uma história dessas, por que diabos esses caras acreditaram quando tentaram nos jogar a pecha de bundões? Se a intenção era alimentar a conformidade, falharam. Basta lembrar mais uma, que já ia sendo omitida: a Revolta do Vintém, no Rio do fim do século XIX, que tanto tem a ver com o que acontece agora. Começou contra o aumento do bonde e virou algo bem maior.
Aqui vale a pequena digressão: a história da polícia militar e sua criação nesse país, a mesma que agora reprime passeatas sem o menor preparo e com inacreditável violência, a mesma que mata e tortura todos os dias na periferia (com as exceções de praxe), está intimamente ligada aos protestos de nossa gente. A primeira polícia nasce no Rio, sempre ao lado da corte. Depois, nos anos 30 do século XIX, vem as demais, com o intuito inicial e preponderante de reprimir as revoltas populares, que gritavam nas ruas contra a legitimidade do monarca que chegava. Nasce com o DNA e a função preponderante de bater em pobre, preto e povo. Com a certeza de que isso não é crime. A certeza dessa impunidade cresce nos anos de chumbo. O que se vê agora é apenas a sequência dessa trajetória. Que enquanto não for refundada, enquanto não se passar a limpo a história do país, dos crimes de estado, sempre será assim.
Voltemos as revoltas que marcam nosso povo. Veio o século XX e mais uma vez o povo tava nas ruas. Sempre. Perdoai, falar que é uma gente "pouco acostumada a protestar nas ruas" é desconhecer o histórico da mudança de uma capital. Pois mudaram uma capital, construíram uma cidade nova no meio do nada com a ilusão de que os governantes estariam livre de pressão. Governar no Rio não era fácil...Panela de pressão. Povo na rua o tempo inteiro...
Por uma dessas ironias, deixaram o projeto para Niemeyer. Humanista de corpo e alma, pensou com sua pena lugares e grandes vãos para protestos, para que o povo ocupasse. Num de seus desenhos, sentenciou que um dia a praça seria do povo e que nesse dia os direitos humanos e as liberdades "seriam conquistas irreversíveis". Mais uma vez o projeto de alijar o povo dava errado. Brasília virou um caldeirão de protestos semanais. Os anos de chumbo, muita gente boa caindo, cem mil nas ruas... A redemocratização, Diretas Já, milhões na rua. Tem pouco tempo, e o povo botou um presidente pra fora. Bundões? Podem querer relativizar, dizer que foi por isso, aquilo, mas sem a gente das ruas gritando, fazendo sua hora, nada teria acontecido...
E eis que estamos na rua novamente...A dificuldade de alguns em entender o que está acontecendo é o desconhecimento de nossa história, de nossa gente, de nossa essência.
O temor de muita gente boa em ver o que é legítimo com alguma desconfiança tem suas razões. O medo de desandar, dos oportunistas, daquela turma que marchou com Deus pela liberdade. (O temor de ter que relembrar a genialidade de Zé Keti: "Marchou com Deus pela democracia/ agora chia/ agora chia"!). Da mesma turma que outro dia pedia que a polícia metralhasse a favela e agora reclama. Quando o clima é de barata voa e a boiada estoura, os oportunistas sempre tentam fincar sua bandeira. Num país que nos últimos anos fez imensos progressos, a brecha para fincar a bandeira do oportunismo andou pequena. Mas nada deve ser temido. Povo na rua nunca deve ser razão de temor. Mesmo as eventuais distorções não podem assustar. A história não tem pressa. Mesmo a eventual despolitização que tentam impor ao movimento não passa.
Chegamos aos dias de hoje. Nesse caldeirão que tanto dificulta a análise dos nossos cientistas sociais, um elemento não pode ser esquecido e é dele que tratamos até aqui: menosprezaram demais um povo que tem em seu DNA os protestos e a revolta. Acreditaram na história do povo bundão. Valendo-se de bons ventos da economia, de inegáveis indicadores que melhoravam, iniciou-se uma farra. Cujo ápice tem a ver com nossa seara de esportes. Em nome da Copa do Mundo, em nome da Fifa, foram entregando tudo, passando por cima da lei. É claro que não digo aqui que esse é o estopim. Seria ridículo. Mas isso é elemento forte desse caldeirão. A farra do boi que some com milhões e constrói obras faraônicas, a volta do estado de exceção, com remoções à margem da lei imperando. Um templo sagrado destruído no Rio igonorando a lei como foi o Maracanã enquanto o mandatário estava em Paris de guardanapo na cabeça. Não foi uma nem duas vezes que escrevi aqui em textos antigos ou falei em nossos programas que isso teria uma resposta da população, que era uma falta de conhecimento de tudo achar que iriam seguir brincando e sumindo com dinheiro e nada aconteceria. Vinha gente de fora e debochava, falando em "dar um chute no traseiro. Elimina-se o povo da festa. Em algum momento vem a conta. Estive nas ruas hoje. Lembrava do Maracanã quando o povo xingava o Cabral...Escrevi tantas vezes que a vingança viria...Tinha motivos para estar especialmente comovido com tudo.
Como foi possível um governador destruir um símbolo por cima da lei e entregar ao amigo que empresta jatinhos? Como foi possível um prefeito ignorar lei ambientais, modificar, para permitir empreendimentos imobiliários, campos de golfe? Mais incrível foi terem achado que iam fazer tudo isso e não prestariam contas nas ruas.
Foi Eduardo Galeano que exemplarmente definiu o que foi o período na mineração no Brasil, dizendo que "o ouro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra". Tantos anos depois, nos vemos diante do mesmo fenômeno. Agora é uma copa de confederações, uma copa do mundo, que vai deixando buracos no Brasil, ouro na Fifa e na conta de alguns.
Dá pra imaginar o que passa na cabeça da presidenta a essa altura. Se arrependimento matasse...Ah, essa copa...Ah, essas Olimpíadas...Dona de bela biografia de luta e resistência, tem mil pecados e responsabilidades nisso tudo, principalmente porque não soube dizer não a uma situação e acordos que herdou. Até ter que engolir o aperto de mão com José Maria Marin. Se omitiu em tantas coisas... E a óbvia maldade risonha de Blatter rindo ao botar fogo na vaia do estádio. Quem muito se abaixa... Quem muito faz concessão. Nessa história toda, está ficando sozinha com o ônus. Lula, que depois de rasgar sua biografia perdeu o pudor em tudo, segue rindo e lucrando com a copa, em suas viagens e palestras para empreiteiras. Fazendo lobby pra Ricardo Teixeira, Marin...Governadores, políticos, todos...Dilma ficou com o ônus. Pediu isso ao se omitir. Deixou Cabral rasgar a constituição e passar por cima dela no Maracanã. A alma dos removidos pesa, os milhões consumidos em elefantes brancos enquanto o povo pena nos hospitais e escolas debilitadas, no transporte. A conta chegou.
Está sendo cobrada por um povo acostumado a fazer isso. Por mais que ainda queiram dizer que não.
Ps- depois de testemunhar tudo que vi, sei que foram muito mais de cem mil. Ainda tenho muitas perguntas para fazer, tentar responder, várias coisas que não entendi ainda. Os próximos dias vão dizer, ajudar a entender. Mas tenho certeza de uma coisa: o DNA de um povo que forjou sua história com muita rua e luta foi o decisivo. Muitas vezes brutalmente reprimido por um estado que sempre o deixou à margem. Se reinventando nas brechas, até a próxima luta ou revolta. Não menosprezem. Não tentem distorcer a história dele.
Quanto a Fifa, melhor botar as barbas de molho. Acharam que vinham para um passeio. Teriam um estado de exceção, removeriam casas, debochariam, dariam pé na bunda. Sempre com a cumplicidade colonizada e desonesta de alguns serviçais que vão levando suas generosas partes. Destruiriam nossos templos e nos deixariam de fora da festa. O povo no seu lugar de hábito mandou avisar que vai participar da festa. Do seu jeito. Como ele decidir. Soberano.
Um olhar sobre a história do Brasil é mergulhar na história de um povo que lutou e luta para driblar o projeto original (ou a ausência dele) que estava previsto desde sempre para ele: ser mão de obra desqualificada, ser escravo, ser trabalhador braçal sem direitos. E se hoje esse projeto está desmoralizado, e o país tem um papel importante no mundo, é porque muito sangue rolou. E esse projeto não foi aceito com conformação.
Desde sempre estava expressa a vontade soberana de um povo em não aceitar dominações vindas de fora. Já vão longe, mais de quatro séculos, a Confederação dos Cariris, a Revolta da Cachaça, do Sal, e tantas outras. Vieram os Mascates, os confederados do Equador, a revolução Pernambucana. As Conjurações. Mineira, Carioca, a Conspiração dos Suassunas, Praieira, Mascates. Diferentes razões, muitas vezes diferentes camadas sociais, mas, na maior parte delas, o sentimento de ser senhor da própria história.
Foram dezenas de revoltas indígenas. Outras tantas escravas e negras. O Maranhão com seus Balaios, a Bahia de tantas e inúmeras revoltas lutas pela independência, da Conjuração, dos Malês, da Sabinada, dos Guanais e da Guerra do Conselheiro, Belém e seus Cabanos, o Rio de João Cândido contra a Chibata e da Vacina e tantas outras que adoro o nome, como "Mata-Galegos", o sul da Farroupilha, do Contestado, as revoltas paulistas. Mesmo as mulheres brasileiras, muito a frente do seu tempo, viveram em Natal sua revolta. Tem tanta coisa, tanta história de revolta em nossas páginas que forçosamente irei cometer o pecado da omissão.
Com uma história dessas, por que diabos esses caras acreditaram quando tentaram nos jogar a pecha de bundões? Se a intenção era alimentar a conformidade, falharam. Basta lembrar mais uma, que já ia sendo omitida: a Revolta do Vintém, no Rio do fim do século XIX, que tanto tem a ver com o que acontece agora. Começou contra o aumento do bonde e virou algo bem maior.
Aqui vale a pequena digressão: a história da polícia militar e sua criação nesse país, a mesma que agora reprime passeatas sem o menor preparo e com inacreditável violência, a mesma que mata e tortura todos os dias na periferia (com as exceções de praxe), está intimamente ligada aos protestos de nossa gente. A primeira polícia nasce no Rio, sempre ao lado da corte. Depois, nos anos 30 do século XIX, vem as demais, com o intuito inicial e preponderante de reprimir as revoltas populares, que gritavam nas ruas contra a legitimidade do monarca que chegava. Nasce com o DNA e a função preponderante de bater em pobre, preto e povo. Com a certeza de que isso não é crime. A certeza dessa impunidade cresce nos anos de chumbo. O que se vê agora é apenas a sequência dessa trajetória. Que enquanto não for refundada, enquanto não se passar a limpo a história do país, dos crimes de estado, sempre será assim.
Voltemos as revoltas que marcam nosso povo. Veio o século XX e mais uma vez o povo tava nas ruas. Sempre. Perdoai, falar que é uma gente "pouco acostumada a protestar nas ruas" é desconhecer o histórico da mudança de uma capital. Pois mudaram uma capital, construíram uma cidade nova no meio do nada com a ilusão de que os governantes estariam livre de pressão. Governar no Rio não era fácil...Panela de pressão. Povo na rua o tempo inteiro...
Por uma dessas ironias, deixaram o projeto para Niemeyer. Humanista de corpo e alma, pensou com sua pena lugares e grandes vãos para protestos, para que o povo ocupasse. Num de seus desenhos, sentenciou que um dia a praça seria do povo e que nesse dia os direitos humanos e as liberdades "seriam conquistas irreversíveis". Mais uma vez o projeto de alijar o povo dava errado. Brasília virou um caldeirão de protestos semanais. Os anos de chumbo, muita gente boa caindo, cem mil nas ruas... A redemocratização, Diretas Já, milhões na rua. Tem pouco tempo, e o povo botou um presidente pra fora. Bundões? Podem querer relativizar, dizer que foi por isso, aquilo, mas sem a gente das ruas gritando, fazendo sua hora, nada teria acontecido...
E eis que estamos na rua novamente...A dificuldade de alguns em entender o que está acontecendo é o desconhecimento de nossa história, de nossa gente, de nossa essência.
O temor de muita gente boa em ver o que é legítimo com alguma desconfiança tem suas razões. O medo de desandar, dos oportunistas, daquela turma que marchou com Deus pela liberdade. (O temor de ter que relembrar a genialidade de Zé Keti: "Marchou com Deus pela democracia/ agora chia/ agora chia"!). Da mesma turma que outro dia pedia que a polícia metralhasse a favela e agora reclama. Quando o clima é de barata voa e a boiada estoura, os oportunistas sempre tentam fincar sua bandeira. Num país que nos últimos anos fez imensos progressos, a brecha para fincar a bandeira do oportunismo andou pequena. Mas nada deve ser temido. Povo na rua nunca deve ser razão de temor. Mesmo as eventuais distorções não podem assustar. A história não tem pressa. Mesmo a eventual despolitização que tentam impor ao movimento não passa.
Chegamos aos dias de hoje. Nesse caldeirão que tanto dificulta a análise dos nossos cientistas sociais, um elemento não pode ser esquecido e é dele que tratamos até aqui: menosprezaram demais um povo que tem em seu DNA os protestos e a revolta. Acreditaram na história do povo bundão. Valendo-se de bons ventos da economia, de inegáveis indicadores que melhoravam, iniciou-se uma farra. Cujo ápice tem a ver com nossa seara de esportes. Em nome da Copa do Mundo, em nome da Fifa, foram entregando tudo, passando por cima da lei. É claro que não digo aqui que esse é o estopim. Seria ridículo. Mas isso é elemento forte desse caldeirão. A farra do boi que some com milhões e constrói obras faraônicas, a volta do estado de exceção, com remoções à margem da lei imperando. Um templo sagrado destruído no Rio igonorando a lei como foi o Maracanã enquanto o mandatário estava em Paris de guardanapo na cabeça. Não foi uma nem duas vezes que escrevi aqui em textos antigos ou falei em nossos programas que isso teria uma resposta da população, que era uma falta de conhecimento de tudo achar que iriam seguir brincando e sumindo com dinheiro e nada aconteceria. Vinha gente de fora e debochava, falando em "dar um chute no traseiro. Elimina-se o povo da festa. Em algum momento vem a conta. Estive nas ruas hoje. Lembrava do Maracanã quando o povo xingava o Cabral...Escrevi tantas vezes que a vingança viria...Tinha motivos para estar especialmente comovido com tudo.
Como foi possível um governador destruir um símbolo por cima da lei e entregar ao amigo que empresta jatinhos? Como foi possível um prefeito ignorar lei ambientais, modificar, para permitir empreendimentos imobiliários, campos de golfe? Mais incrível foi terem achado que iam fazer tudo isso e não prestariam contas nas ruas.
Foi Eduardo Galeano que exemplarmente definiu o que foi o período na mineração no Brasil, dizendo que "o ouro deixou buracos no Brasil, templos em Portugal e fábricas na Inglaterra". Tantos anos depois, nos vemos diante do mesmo fenômeno. Agora é uma copa de confederações, uma copa do mundo, que vai deixando buracos no Brasil, ouro na Fifa e na conta de alguns.
Dá pra imaginar o que passa na cabeça da presidenta a essa altura. Se arrependimento matasse...Ah, essa copa...Ah, essas Olimpíadas...Dona de bela biografia de luta e resistência, tem mil pecados e responsabilidades nisso tudo, principalmente porque não soube dizer não a uma situação e acordos que herdou. Até ter que engolir o aperto de mão com José Maria Marin. Se omitiu em tantas coisas... E a óbvia maldade risonha de Blatter rindo ao botar fogo na vaia do estádio. Quem muito se abaixa... Quem muito faz concessão. Nessa história toda, está ficando sozinha com o ônus. Lula, que depois de rasgar sua biografia perdeu o pudor em tudo, segue rindo e lucrando com a copa, em suas viagens e palestras para empreiteiras. Fazendo lobby pra Ricardo Teixeira, Marin...Governadores, políticos, todos...Dilma ficou com o ônus. Pediu isso ao se omitir. Deixou Cabral rasgar a constituição e passar por cima dela no Maracanã. A alma dos removidos pesa, os milhões consumidos em elefantes brancos enquanto o povo pena nos hospitais e escolas debilitadas, no transporte. A conta chegou.
Está sendo cobrada por um povo acostumado a fazer isso. Por mais que ainda queiram dizer que não.
Ps- depois de testemunhar tudo que vi, sei que foram muito mais de cem mil. Ainda tenho muitas perguntas para fazer, tentar responder, várias coisas que não entendi ainda. Os próximos dias vão dizer, ajudar a entender. Mas tenho certeza de uma coisa: o DNA de um povo que forjou sua história com muita rua e luta foi o decisivo. Muitas vezes brutalmente reprimido por um estado que sempre o deixou à margem. Se reinventando nas brechas, até a próxima luta ou revolta. Não menosprezem. Não tentem distorcer a história dele.
Quanto a Fifa, melhor botar as barbas de molho. Acharam que vinham para um passeio. Teriam um estado de exceção, removeriam casas, debochariam, dariam pé na bunda. Sempre com a cumplicidade colonizada e desonesta de alguns serviçais que vão levando suas generosas partes. Destruiriam nossos templos e nos deixariam de fora da festa. O povo no seu lugar de hábito mandou avisar que vai participar da festa. Do seu jeito. Como ele decidir. Soberano.
Hackers invadem site do PMDB
Do G1:
O site do PMDB (Partido do Movimento Democrático do Brasil) foi
invadido por integrantes do grupo Anonymous. Por volta das 2h desta
terça-feira (18), a mensagem dos hackers ainda estava no ar.
Site do PMDB é invadido por integrantes do movimento Anonymous. (Foto: Reprodução)
O texto mostrava apoio aos protestos contra o aumento da tarifa do
transporte público no Brasil, estopim de manifestações no país.
"A luta da população contra o aumento das passagens de um transporte
que se diz público está cada vez maior e mais forte! Mas a única
resposta do governo é uma pressão policial mais truculenta e arbitrária a
cada ato", diz o texto.
"As últimas manifestações completamente pacíficas foram recebidas com
bombas e balas de borracha. Ficou claro que a violência parte sempre da
polícia. Eles querem nos calar, nos separar, nos enfraquecer. Mas nós
não deixaremos! Ninguém vai nos deter em nosso direito de nos manifestar
até a tarifa baixar!", conclui.
A página também trazia um vídeo com imagens dos protestos e com o título "Vem pra rua!".
Nesta segunda-feira (17), um grupo de manifestantes subiu a rampa do Congresso Nacional e tomou a marquise do edifício. O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros, é filiado ao PMDB de Alagoas.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Acordamos??
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